1. Visão Geral e Conceitos Fundamentais
O objetivo deste laboratório é estabelecer a comunicação de camada 3 entre duas redes locais distintas (LANs) através de um link de trânsito. Para isso, utilizamos uma combinação de roteamento dinâmico avançado e automação de entrega de IPs.
O que é o BGP e qual o objetivo de utilizá-lo?
O BGP (Border Gateway Protocol) é o protocolo de roteamento responsável por conectar a internet global. Diferente de protocolos internos (como OSPF ou EIGRP), o BGP foi desenhado para trocar informações de rotas entre Sistemas Autônomos (AS) diferentes.
Objetivo no cenário: Utilizamos o eBGP (External BGP) para simular a conexão entre duas filiais distintas (Site A e Site B), permitindo que os roteadores aprendam o caminho para a rede do vizinho de forma dinâmica, escalável e sem a necessidade de criar rotas estáticas manuais.
Referência:
O que é BGP? | Cloudflare
O que é um VPC (VPCS)?
O Virtual PC Simulator é um emulador extremamente leve utilizado em laboratórios de rede (como EVE-NG e GNS3). Ele consome pouquíssima memória e serve exclusivamente para testar a conectividade da infraestrutura, suportando comandos básicos como ping, traceroute e requisições dinâmicas de IP.
2. Topologia e Escopo de Endereçamento
Rede de Trânsito (eBGP):
10.0.0.0/30Site A (MikroTik 1 - AS 65001):
192.168.10.0/24(Interfaceether2)Site B (MikroTik 2 - AS 65002):
192.168.20.0/24(Interfaceether2)
3. Implementação Fase 1: Endereçamento Estático e Roteamento BGP
Nesta etapa, preparamos os roteadores de borda para trocarem rotas dinamicamente e configuramos os computadores finais com endereços IPs estáticos para validação inicial.
Configuração do MikroTik 1 (AS 65001)
# 1. Configuração de Endereçamento IP
/ip address add address=10.0.0.1/30 interface=ether1
/ip address add address=192.168.10.1/24 interface=ether2
# 2. Configuração do eBGP
/routing bgp instance set default as=65001 router-id=10.0.0.1
/routing bgp peer add name=peer-mk2 remote-address=10.0.0.2 remote-as=65002
/routing bgp network add network=192.168.10.0/24
Configuração do MikroTik 2 (AS 65002)
# 1. Configuração de Endereçamento IP
/ip address add address=10.0.0.2/30 interface=ether1
/ip address add address=192.168.20.1/24 interface=ether2
# 2. Configuração do eBGP
/routing bgp instance set default as=65002 router-id=10.0.0.2
/routing bgp peer add name=peer-mk1 remote-address=10.0.0.1 remote-as=65001
/routing bgp network add network=192.168.20.0/24
Validação de Roteamento: Execute /ip route print nos MikroTiks para verificar se a rota vizinha foi aprendida com as flags DAb (Dynamic, Active, BGP).
4. Implementação Fase 2: Automatizando as LANs com Servidor DHCP
Para escalar o laboratório e evitar a configuração manual de IPs nos hosts, subimos um servidor DHCP nas interfaces LAN (ether2) de ambos os MikroTiks.
Ativando DHCP no MikroTik 1
# Criando o Pool de IPs (.100 a .200)
/ip pool add name=pool_lan ranges=192.168.10.100-192.168.10.200
# Configurando a rede e opções (Gateway e DNS)
/ip dhcp-server network add address=192.168.10.0/24 gateway=192.168.10.1 dns-server=8.8.8.8
# Atrelando o serviço à interface local
/ip dhcp-server add name=dhcp_lan interface=ether2 address-pool=pool_lan disabled=no
Ativando DHCP no MikroTik 2
# Criando o Pool de IPs (.100 a .200)
/ip pool add name=pool_lan ranges=192.168.20.100-192.168.20.200
# Configurando a rede e opções (Gateway e DNS)
/ip dhcp-server network add address=192.168.20.0/24 gateway=192.168.20.1 dns-server=8.8.8.8
# Atrelando o serviço à interface local
/ip dhcp-server add name=dhcp_lan interface=ether2 address-pool=pool_lan disabled=no
5. Testes Finais e Validação de Ponta a Ponta
Com a infraestrutura de rede pronta, os VPCs devem ser reconfigurados para buscar endereçamento de forma dinâmica utilizando o comando:
ip dhcp
Adendo Técnico: O Processo DORA Ao solicitar o IP dinâmico, o terminal do VPC executará o processo DORA, que consiste nas quatro etapas de comunicação do protocolo DHCP:
Discover: O cliente envia um broadcast na rede perguntando "Existe algum servidor DHCP aqui?".
Offer: O servidor responde oferecendo um endereço IP disponível.
Request: O cliente aceita a oferta e solicita oficialmente aquele IP.
Acknowledge: O servidor confirma a transação e registra o empréstimo (lease) do IP.
A validação documentada deste laboratório apresenta o seguinte fluxo de sucesso após a execução do comando:
Processo DORA concluído: O host obteve um IP da LAN (ex:
192.168.10.195/24) diretamente do MikroTik local.Roteamento local validado: Ping bem-sucedido para o gateway remoto (
192.168.20.1).Roteamento eBGP validado: Ping bem-sucedido para um host dinâmico no Site Remoto (ex:
192.168.20.200), atestando a integridade da tabela de rotas BGP e do link de trânsito.
6. Troubleshooting (Notas de Experiência do Lab)
Durante a montagem deste cenário, dois comportamentos técnicos importantes foram observados e resolvidos:
Tabela ARP presa e STP (Spanning Tree Protocol): Conexões através de switches L2 (como instâncias IOU/vIOS) ativam o STP por padrão. Isso gera um bloqueio temporário (cerca de 50 segundos) nas portas recém-conectadas, resultando em falhas de timeout ao tentar rodar o
ip dhcpnos VPCs. Solução: Aguardar o tempo de convergência da porta ou aplicarspanning-tree portfastna interface do switch.DHCP Server Inválido (Flag 'I'): O serviço DHCP do RouterOS ficará com status inválido se a interface à qual ele foi atrelado não possuir um endereço IP correspondente à rede configurada no pool. Solução: Garantir via
/ip address printque a porta LAN possui o gateway corretamente assinalado.
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