Infraestrutura e Redes

Roteamento eBGP e DHCP com MikroTik (RouterOS v6)

Capa do artigo

1. Visão Geral e Conceitos Fundamentais

O objetivo deste laboratório é estabelecer a comunicação de camada 3 entre duas redes locais distintas (LANs) através de um link de trânsito. Para isso, utilizamos uma combinação de roteamento dinâmico avançado e automação de entrega de IPs.

O que é o BGP e qual o objetivo de utilizá-lo?

O BGP (Border Gateway Protocol) é o protocolo de roteamento responsável por conectar a internet global. Diferente de protocolos internos (como OSPF ou EIGRP), o BGP foi desenhado para trocar informações de rotas entre Sistemas Autônomos (AS) diferentes.

O que é um VPC (VPCS)?

O Virtual PC Simulator é um emulador extremamente leve utilizado em laboratórios de rede (como EVE-NG e GNS3). Ele consome pouquíssima memória e serve exclusivamente para testar a conectividade da infraestrutura, suportando comandos básicos como ping, traceroute e requisições dinâmicas de IP.

2. Topologia e Escopo de Endereçamento

3. Implementação Fase 1: Endereçamento Estático e Roteamento BGP

Nesta etapa, preparamos os roteadores de borda para trocarem rotas dinamicamente e configuramos os computadores finais com endereços IPs estáticos para validação inicial.

Configuração do MikroTik 1 (AS 65001)

# 1. Configuração de Endereçamento IP
/ip address add address=10.0.0.1/30 interface=ether1
/ip address add address=192.168.10.1/24 interface=ether2

# 2. Configuração do eBGP
/routing bgp instance set default as=65001 router-id=10.0.0.1
/routing bgp peer add name=peer-mk2 remote-address=10.0.0.2 remote-as=65002
/routing bgp network add network=192.168.10.0/24

Configuração do MikroTik 2 (AS 65002)

# 1. Configuração de Endereçamento IP
/ip address add address=10.0.0.2/30 interface=ether1
/ip address add address=192.168.20.1/24 interface=ether2

# 2. Configuração do eBGP
/routing bgp instance set default as=65002 router-id=10.0.0.2
/routing bgp peer add name=peer-mk1 remote-address=10.0.0.1 remote-as=65001
/routing bgp network add network=192.168.20.0/24

Validação de Roteamento: Execute /ip route print nos MikroTiks para verificar se a rota vizinha foi aprendida com as flags DAb (Dynamic, Active, BGP).

4. Implementação Fase 2: Automatizando as LANs com Servidor DHCP

Para escalar o laboratório e evitar a configuração manual de IPs nos hosts, subimos um servidor DHCP nas interfaces LAN (ether2) de ambos os MikroTiks.

Ativando DHCP no MikroTik 1

# Criando o Pool de IPs (.100 a .200)
/ip pool add name=pool_lan ranges=192.168.10.100-192.168.10.200

# Configurando a rede e opções (Gateway e DNS)
/ip dhcp-server network add address=192.168.10.0/24 gateway=192.168.10.1 dns-server=8.8.8.8

# Atrelando o serviço à interface local
/ip dhcp-server add name=dhcp_lan interface=ether2 address-pool=pool_lan disabled=no

Ativando DHCP no MikroTik 2

# Criando o Pool de IPs (.100 a .200)
/ip pool add name=pool_lan ranges=192.168.20.100-192.168.20.200

# Configurando a rede e opções (Gateway e DNS)
/ip dhcp-server network add address=192.168.20.0/24 gateway=192.168.20.1 dns-server=8.8.8.8

# Atrelando o serviço à interface local
/ip dhcp-server add name=dhcp_lan interface=ether2 address-pool=pool_lan disabled=no

5. Testes Finais e Validação de Ponta a Ponta

Com a infraestrutura de rede pronta, os VPCs devem ser reconfigurados para buscar endereçamento de forma dinâmica utilizando o comando:

ip dhcp

Adendo Técnico: O Processo DORA Ao solicitar o IP dinâmico, o terminal do VPC executará o processo DORA, que consiste nas quatro etapas de comunicação do protocolo DHCP:

  1. Discover: O cliente envia um broadcast na rede perguntando "Existe algum servidor DHCP aqui?".

  2. Offer: O servidor responde oferecendo um endereço IP disponível.

  3. Request: O cliente aceita a oferta e solicita oficialmente aquele IP.

  4. Acknowledge: O servidor confirma a transação e registra o empréstimo (lease) do IP.

A validação documentada deste laboratório apresenta o seguinte fluxo de sucesso após a execução do comando:

  1. Processo DORA concluído: O host obteve um IP da LAN (ex: 192.168.10.195/24) diretamente do MikroTik local.

  2. Roteamento local validado: Ping bem-sucedido para o gateway remoto (192.168.20.1).

  3. Roteamento eBGP validado: Ping bem-sucedido para um host dinâmico no Site Remoto (ex: 192.168.20.200), atestando a integridade da tabela de rotas BGP e do link de trânsito.

6. Troubleshooting (Notas de Experiência do Lab)

Durante a montagem deste cenário, dois comportamentos técnicos importantes foram observados e resolvidos:

O material ficou bem robusto e direto ao ponto! Se quiser, posso estruturar rapidamente essas definições conceituais do DORA e as flags de roteamento BGP num formato direto de perguntas e respostas para você importar no Anki. Deseja seguir com a formatação das questões?

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